sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TERMINOLOGIA

Terminologia


Que termos usar e não usar. Estas recomendações valem para a área de comunicação. Não se trata do politicamente correto, mas sim de legitimar avanços de mudança de mentalidade que as palavras devem refletir.



DEFICIÊNCIA é a terminologia genérica para englobar toda e qualquer deficiência (física ou motora, mental ou intelectual, sensorial e múltipla). O uso da preposição COM é ideal para designar pessoas COM deficiência. Outras opções são as expressões QUE TEM ou QUE NASCEU COM.



Exemplos: pessoas COM deficiência; ator QUE NASCEU COM síndrome de Down; menina QUE TEM paralisia cerebral; estudante COM deficiência visual etc.



Use INSERÇÃO quando estiver em dúvida se o caso relatado na matéria é de integração ou de inclusão. O vocábulo inserção é neutro porque não está vinculado a movimentos internacionais de defesa de direitos de pessoas com deficiência.



Não tenha receio em usar a palavra DEFICIÊNCIA. As deficiências são reais e não há por que disfarçá-las.



Use SURDO e nunca surdo-mudo. Sob a ótica da diversidade humana é natural existirem múltiplas formas de comunicação entre seres da nossa espécie, sendo impossível compará-las como “a mais humana” ou a “menos humana”. O fato de a maioria das pessoas “falarem pela boca” não nos dá o direito de considerar esta forma de expressão como a única valorada, ou seja, o modelo. Esta é uma visão integradora, pois favorece a comparação entre condições humanas. Para uma pessoa surda é difícil falar o português, sendo natural que opte pela Língua de sinais brasileira (Libras). Neste caso, não é mudo, apenas SURDO.



A LIBRAS não é uma linguagem, mas uma LÍNGUA. Existem outras formas de linguagem envolvendo ou não pessoas surdas como a linguagem gestual e a corporal.



Deficiências visual e auditiva são exemplos de DEFICIÊNCIA SENSORIAL. O aconselhável é retratá-las dessa forma: PESSOAS CEGAS (deficiência visual total) ou SURDAS (deficiência auditiva total); PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL (ou COM BAIXA VISÃO) ou AUDITIVA (há resíduo auditivo) ou PESSOAS QUE TÊM DEFICIÊNCIA VISUAL ou AUDITIVA.



Os substantivos CEGUEIRA e SURDEZ podem ser usados.



A palavra deficiente não deve ser usada como substantivo (“os deficientes” jogam bola”), mas pode ser usada como ADJETIVO. Essa preocupação fica mais clara de ser compreendida ao substituirmos “deficiente” por outros substantivos, como gordo, negro, magro, louro, careca etc. Quem usaria, em uma matéria, a expressão “os gordos”, “os negros”, “os carecas” etc.



A normalidade hoje é um conceito polêmico, por isso, para designar uma pessoa sem deficiência use o adjetivo COMUM. Exemplo: PESSOAS COMUNS, PESSOAS SEM DEFICIÊNCIA…. Pela mesma razão, evite usar “defeituoso”, “incapacitado” e “inválido” ao se referir a alguém COM DEFICIÊNCIA.



A expressão síndrome genética é a mais indicada. Anote algumas sugestões que podem ser usadas para não repeti-la: EVENTO GENÉTICO; OCORRÊNCIA GENÉTICA; SITUAÇÃO GENÉTICA. Evitar o uso das expressões anomalia, mutação, erro, acidente e doença genética.



A palavra deficiente não deve ser usada para designar outras limitações como o alto grau de miopia. Existem critérios muito rígidos para designar o que é uma pessoa com deficiência visual ou cega. Por isso não é adequado dizer que “todos nós somos deficientes”.



Para se referir às escolas que não são especiais, o ideal é usar ESCOLA REGULAR ou ESCOLA COMUM e no caso das turmas, CLASSE REGULAR ou CLASSE COMUM.



O surdo, esse desconhecido - matéria jornal

CLIQUEM:


Opinião - http://www.atribunanet.com/noticia/o-surdo-esse-desconhecido-59033


O surdo, esse desconhecido

Cristiane Seimetz Rodrigues
Professora - cris.seimetz@gmail.com





Não raro é possível vivenciar situações em que os que ouvem chamam aos que não

ouvem de "surdo-mudo", "mudo", "mudinho", na crença de que todo surdo é mudo. A

verdade, porém, é que bem poucos surdos são mudos, e há muitas pessoas mudas que

não são surdas. O mudo é a pessoa privada de algum órgão do aparelho fonador que

o impeça de produzir sons, por exemplo, ter nascido sem cordas vocais. Como não

pode produzir espécie alguma de som, consequentemente, ele não utiliza a fala.



A fala, enquanto atividade que envolve a produção de sons, também não é

empregada por boa parte dos surdos, o motivo é simples: eles podem produzir som

- entendido, nesse caso, como barulhos, ruídos -, mas como não podem captá-lo,

ficam, na maioria das vezes, impossibilitados de produzir ou reproduzir sons da

fala. Na condição de atividade linguística oral, a fala é aprendida por meio da

audição. Assim, a surdez dificulta ou impede a aprendizagem dos sons ditos

linguísticos. Para compreender a diferença, basta pensar numa cena em que um

surdo dá uma topada numa pedra. Ele vai, possivelmente, urrar de dor, fará

barulho, sua expressão de dor será tão ruidosa quanto à de um ouvinte. A

diferença reside no fato, malvisto pelos politicamente corretos, de que o

ouvinte empregará uma (ou umas) expressãozinha de baixo calão para extravasar

sua dor/raiva.



O exemplo acima é apenas um possível. Surdos também podem produzir muito barulho

- sons vocais - para chamar a atenção de um ouvinte, pelo motivo que for. Embora

o usual seja encontrar surdos que não se utilizam da língua oral, há os que após

anos de tratamento com fonoaudiólogos e professores de português conseguem se

comunicar muito bem por meio da fala. Seus diálogos, nesse caso, são sempre

travados frente a frente com o receptor, de forma que o surdo possa efetuar a

leitura labial. Enganam-se os que pensam que a leitura labial é uma constante

entre os surdos. Tal habilidade requer gastos dispendiosos, paciência e muitos

anos de treino para ser adquirida e, o pior, nem sempre pode ser empregada -

muitos fatores acabam por prejudicar a leitura labial, como o uso de barba e/ou

bigode, a distância entre as pessoas envolvidas no ato comunicacional, a forma

particular como algumas pessoas articulam certas palavras da língua etc.



Pelos motivos apontados acima, o meio natural de comunicação entre surdos e

entre surdos e ouvintes é o uso da língua brasileira de sinais - Libras -, já

reconhecida por lei como a língua oficial de comunicação dos surdos brasileiros.

Trata-se de um sistema linguístico visual, em que as palavras são articuladas em

sinais, ou melhor, os sinais são palavras. Estes, por sua vez, organizam-se em

frases e estas, em texto/discurso. Ao “sistema de comunicação” empregado pelos

que não ouvem, chamamos língua, e não linguagem. O português e a Libras são

“sistemas de comunicação” distintos, são línguas diferentes, cada uma com suas

próprias regras gramaticais. E, não, línguas de sinais não são universais. No

Brasil, aliás, não existe apenas a Libras, há também a língua de sinais

empregada pelos índios caapores-urubus, consideravelmente distinta daquela.



Infelizmente a Libras ainda é uma desconhecida para a população ouvinte e mesmo

para uma parcela significativa de surdos, circunstância ocasionada, em relação a

esses últimos, por alguns fatores históricos, sociais e "acidentais" - desculpe,

leitor, a falta de um termo melhor. Fatores aos quais pretendo me ater em um

próximo texto sobre os surdos, que, lembre-se bem, raramente são mudos.











Na vida, não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções.
Antoine de Saint-Exupéry



Documento orientador da SECADI/MEC para AEEs dos surdos

Olá, Defensores da Comunidade Surda Brasileira.




Segue link com a resposta do MEC à proposta da FENEIS para a ‘Política Nacional de Educação Bilíngue para Surdos’. É só clicar no link a seguir e abrir o arquivo denominado “Resposta do Ministro.rar" : http://www.sendspace.com/file/9jx42z



Abraços





MOÇÃO APROVADA NO 3º Congresso Nacional de Pesquisas em Tradução e Intérprete

Olá, Pessoal.




Segue, abaixo, cópia da MOÇÃO APROVADA NO 3º Congresso Nacional de Pesquisas em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa.





Abraço.


Publicamos a abaixo a Moção aprovada no 3º Congresso Nacional de Pesquisas em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa, ocorrido em Florianópolis, SC, entre os dias 15, 16 e 17 deste mês. Em breve publicaremos o vídeo com essa Moção em Língua de Sinais brasileira. Leiam e divulguem!



Congresso de Tradutores e Intérpretes de Libras repudia Nota Técnica do MEC contra as Escolas Bilíngues para Surdos


18 de agosto de 2012


Nós, pesquisadores, profissionais e participantes do III Congresso Nacional de Pesquisas em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa, repudiamos a Nota Técnica nº 34/2012 da Diretora de Políticas de Educação Especial do MEC, Martinha Clarete Dutra dos Santos, de 16 de julho de 2012, em resposta à FENEIS, que propôs uma comissão para elaboração e implementação de uma Política Nacional de Educação Bilíngue para Surdos.



A proposta da FENEIS, instituição de representação máxima dos Surdos Brasileiros, filiada à WFD – Word Federation of the Deaf, que, por sua vez, é vinculada à IDA – International Disability Alliance, que implementou junto à ONU a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, tem o respaldo de sua proposta no artigo 30 da Convenção. Os argumentos sobre os quais se baseia a Nota Técnica n. 34/2012, portanto, violam os Direitos Linguísticos e Culturais da Comunidade Surda, pois a proposta do Atendimento Educacional Especializado – AEE, reforçada na nota, impõe um único modelo educacional que não atende a diversidade dos alunos surdos, uma vez que obriga a pulverização, de todos os alunos surdos e com deficiência auditiva, nas várias escolas comuns espalhadas pelo Brasil, sem que tenham contato com seus pares surdos.



Esses contextos educacionais de AEE restringem o acesso dos alunos surdos ao atendimento com intérpretes de Libras (com profissionais que, em muitos casos, não têm o conhecimento educacional necessário à tarefa de tradução e interpretação). O Atendimento Educacional Especializado – AEE, conforme proposto, limita-se à complementação e à suplementação do ensino, no contraturno das escolas comuns, que estão, equivocadamente, sendo tratadas como se fossem Escolas Bilíngues. Essa é a orientação dada pelo MEC aos Estados e Municípios.



A nota técnica, ainda, acusa os espaços organizados a partir da surdez como espaços de uma ‘educação segregacionista’. Cumpre-nos dizer que os muitos argumentos na nota técnica citada não encontram respaldo nas sérias pesquisas concluídas nas áreas da Linguística, Educação e Tradução, que envolvem estudos surdos.



Esses são os principais argumentos defendidos pelos participantes do III Congresso Nacional de Pesquisas em Tradução e Interpretação de Libras e Língua Portuguesa, do qual participaram também intérpretes atuantes nas escolas inclusivas, inclusive, com apresentação de trabalhos que atestam contrariamente à forma como o MEC, por meio da Diretora Martinha Clarete, tem agido contra a proposta de Escola Bilíngue, que defende a Libras como Língua de Instrução e a Língua Portuguesa escrita como segunda língua.



Mais uma vez repudiamos o pensamento e a atitude anti-inclusiva da proposta apresentada pelos técnicos do MEC, pois, na verdade, propõe a exclusão da maioria dos surdos do processo educacional. Nesse sentido, defendemos a nossa posição até ‘as pontas dos dedos de nossas mãos’, pois se baseiam na língua de sinais brasileira que é a língua de principal acesso da maioria dos surdos brasileiros à comunicação, à interação e ao conhecimento.



Florianópolis, 17 de agosto de 2012.


Fonte: http://bilinguesparasurdosja.com/2012/08/18/congresso-de-tradutores-e-interpretes-de-libras-repudiam-nota-tecnica-do-mec-contra-as-escolas-bilingues-para-surdos/






VAMOS REFLETIR


Para ler todos os dias!...

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)



Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,

mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.

E que posso evitar que ela vá a falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e

se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar

um oásis no recôndito da sua alma .

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos..

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um 'não'.

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.



Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo...



(Fernando Pessoa)















Aprenda no SILÊNCIO!!!

Espero que minhas contribuições te enriqueçam de alguma forma.