terça-feira, 31 de julho de 2012

Como lidar com os distúrbios mentais na infância

João*, de 8 anos, não sorria para os familiares, não gostava de contato social e era agressivo com os pais. Conheça a história da mãe que teve de aprender a amar seu filho

ELISEU BARREIRA JUNIOR

Os craques santistas Neymar, Paulo Henrique Ganso e Robinho são os três ídolos de João*, de 8 anos. Assim como muitos garotos da sua idade, ele adora futebol e toda semana se reúne com os coleguinhas de escola para jogar uma "pelada". "Sou meia-atacante", diz orgulhoso. Na vida de João, porém, o esporte é mais que uma paixão ou divertimento. É uma forma dele se socializar e superar as dificuldades de um grave transtorno de desenvolvimento que já trouxe muita preocupação para sua mãe, a engenheira química Cláudia*.

O filho tão desejado por Cláudia nasceu em um parto complicado. Por causa disso, ele teve de ficar internado durante dez dias antes de ir para casa com a mãe. Conforme crescia, João demonstrava um comportamento pouco comum: não sorria para os familiares, não gostava de contato social, era agressivo com os pais sem motivo, não reagia afetivamente e não falava. Para a família, tudo aquilo parecia natural, coisa de criança. Até que, ao completar 1 ano e 8 meses, ele passou a frequentar um berçário. No ambiente escolar, ficou evidente que havia algo de errado: João batia nas outras crianças, não gostava das professoras e evoluía de modo incompatível com a sua idade. Os profissionais do berçário recomendaram então que Cláudia procurasse ajuda médica.

Levado a um psicólogo, foi constatado que João apresentava traços de uma criança autista, apesar de não ter autismo. O diagnóstico: Transtorno Global do Desenvolvimento. Sob o nome, estão incluídos graves distúrbios emocionais e transtornos relacionados à saúde mental infantil. "Os problemas dessas crianças não vêm necessariamente de uma debilidade intelectual nem de uma debilidade física", afirma Maria Cristina Kupfer, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) e estudiosa da psicose e autismo infantis há mais de vinte anos. "Seus problemas vêm de uma falha precoce no estabelecimento da relação com os outros."

Isso quer dizer que, para crianças como João, a construção do psiquismo voltado para o convívio social não se fez convenientemente. Nosso psiquismo (ou nossa personalidade) é construído para ser um instrumento de relação com os outros, uma espécie de porta aberta para o mundo. "A falha nesse processo é resultado de dificuldades, acidentes, entraves ou impasses ocorridos durante o processo de estruturação subjetiva da criança", diz a psicanalista Enriqueta Nin Vanoli, da equipe multidisciplinar da Associação Serpiá (Serviços Psicológicos para a Infância e Adolescência), de Curitiba (PR).

A análise do histórico de vida de João pode ajudar a entender como o problema se desenvolveu. Cláudia conta que o fato do menino não corresponder aos carinhos que recebia ainda bebê, evitar o seu olhar e não esboçar nenhum tipo de sentimento criou uma barreira entre ambos. Ela sonhara com um modelo ideal de criança a que João não correspondia. A frustração impedia uma proximidade, uma relação genuína de mãe e filho. "Era como se o João fosse uma criança qualquer. Apesar de estar ao seu lado fisicamente sempre, não conseguia me aproximar emocionalmente. Ele cresceu isolado de mim", afirma. Cláudia acredita que o problema no parto, de certa forma, criou uma ferida psicológica que marcou o garoto. "A verdade é que eu também tinha dificuldade de amar meu filho, talvez pelo meu histórico familiar. Cresci num ambiente em que as pessoas eram muito fechadas. Costumava me julgar uma pessoa carinhosa, mas dar carinho é diferente de dar amor."

O relato de Cláudia revela dois elementos que os especialistas costumam notar nos casos em que o Transtorno Global de Desenvolvimento é diagnosticado. Em primeiro lugar, há uma enorme dificuldade para os pais aceitar o não-olhar dos filhos, interpretado como falta de afeto por parte da criança. Em segundo lugar, o problema sempre envolve o menor e o adulto responsável por sua criação, ou seja, ele não pode ser concebido como um fenômeno que acontece com somente uma pessoa. “É preciso tomar cuidado, porém, para não culpar os pais, porque são coisas que não costumam passar pela consciência deles”, diz Jussara Falek Brauer, professora aposentada e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas Psicanalíticas dos Distúrbios Graves na Infância do IP-USP. “A criança pode estar respondendo a algo de errado que está na mãe e que, às vezes, nem a própria mãe sabe que tem. Só por meio de análise é possível descobrir o que está acontecendo.”

Um estudo epidemiológico feito em 2008 pelo pesquisador americano Myron Belfer mostrou que até 20% das crianças e adolescentes sofrem de algum transtorno mental grave. Se for considerado o espectro autístico, pode-se falar em uma criança em cada 150, de acordo com a agência Centers for Disease Control e Prevention (ou CDC), do departamento de saúde e serviços humanos dos Estados Unidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta uma taxa de 12% a 29% de prevalência de transtornos mentais na infância. De forma geral, a incidência de distúrbios como o de João é maior em meninos do que em meninas. Diagnosticar problemas psiquiátricos em crianças, no entanto, costuma ser difícil. "A partir de seis meses de idade, uma criança já pode mostrar sinais de autismo, como o não-olhar para a mãe, mas isso isoladamente não quer dizer que ela vá se tornar autista", afirma Maria Cristina. "É muito perigoso pegar um rótulo e colocar num bebê, porque ele vai procurar responder àquilo que todo mundo está falando que ele tem", diz Jussara.

Daí a necessidade de um diagnóstico feito por profissionais especializados. "Um bom acompanhamento médico é fundamental. Ele envolve um trabalho que deve considerar uma série de fatores, além da sutileza e singularidade de cada caso", diz Enriqueta. Foi o que aconteceu com João. Após a primeira consulta médica, ele já começou um tratamento que buscava reatar o diálogo perdido com os outros. Sua mãe também passou a se consultar com a mesma psicóloga responsável pelo acompanhamento do filho. "Nas sessões, eu aprendi como superar as minhas dificuldades de relacionamento com ele", afirma Cláudia.

Trabalhar a mãe e a criança com o mesmo profissional, mas em sessões individuais, é um dos segredos para o sucesso do tratamento. "Esse trabalho conjunto vai na direção da reconstituição da história familiar. A partir dele, tenta-se desfazer o emaranhado que cria problemas para a criança", afirma Jussara. A experiência da professora da USP mostra que 90% dos 105 menores que atendeu ao longo de sua pesquisa clínica na universidade deixaram de apresentar os sintomas que os levaram ao médico pela análise e correção do que havia de errado entre mãe e filho.

Seis anos após o início do tratamento, João leva hoje uma vida normal. Ele vai a uma escola comum – João está na segunda série do ensino fundamental de um colégio particular de São Paulo – , estuda inglês e, além de futebol, pratica natação e capoeira. Agora, convive bem socialmente, não se isola mais, gosta de conversar e qualquer dificuldade que tem recorre à ajuda da mãe. "Ele aprendeu a expressar muito bem o que sente. O distanciamento que existia antes acabou", diz Cláudia. Como João demorou para desenvolver seu lado social, o menino ainda apresenta algumas reações que não são adequadas, como querer exclusividade quando está brincando com um amiguinho.


Para mudar comportamentos como esse, ele frequenta duas vezes por semana a Associação Lugar de Vida, dedicada ao tratamento e à escolarização de crianças psicóticas, autistas e com problemas de desenvolvimento. Localizado no Butantã, na zona oeste de São Paulo, o Lugar de Vida iniciou suas atividades em 1990 como um serviço do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade do IP-USP. Lá, João participa de Grupos de Educação Terapêutica (GETs) com outras crianças. Há dois focos de trabalho nos GETs: o primeiro compreende atividades como movimentação em brinquedos de grande porte, corridas, jogos de pátio com regras simples, encenação de pequenas peças, aprendizado de músicas e escuta de relatos de histórias – atividades, em geral, de cooperação grupal para o desenvolvimento do laço social; o segundo foco é na escrita e compreende atividades para o desenvolvimento do desenho, do grafismo e da superação das dificuldades de alfabetização. Para os pais, há uma reunião uma vez por semana em que eles podem conversar sobre os problemas dos filhos com a mediação de uma psicóloga. Nos encontros, compartilham suas dúvidas, obtêm esclarecimentos e trocam experiências."É bom participar desse tipo de reunião porque a gente percebe que não está sozinha nisso", afirma Cláudia.

Contar com o auxílio de bons profissionais e abraçar o problema para superá-lo – sem buscar um culpado – foram os principais elementos para a melhora do filho, segundo Cláudia. “Se o pai e a mãe não estão ali para ajudar, nada adianta. No começo, eu e meu marido ficamos muito atormentados com o que estava acontecendo, e juntos conseguimos enfrentar a situação”. A mãe coruja diz que João já sabe o que quer ser quando ficar mais velho: jogador de futebol do Santos, seu time do coração. O menino que antes não sabia se relacionar se apaixonou por um esporte em equipe e ensinou sua mãe a amá-lo.



* Os nomes foram trocados para preservar a identidade do menor e da mãe

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI158460-15228,00.html



DIVULGAÇÃO_Livros na area de Surdez

EDUCACAO BILINGUE PARA SURDOS - CONCEPCOES E IMPLICACOES PRATICAS - SLOMSKI

Sinopse

O desafio da maioria das instituições para Surdos no Brasil, de pesquisadores, professores e demais profissionais envolvidos com esta temática é a busca por filosofias educacionais e metodologias mais adequadas à problemática da surdez. Nesta direção caminha este livro que tem como objetivo apresentar os princípios, fundamentos e aspectos práticos que caracterizam uma proposta de educação bilíngue para Surdos, como mais uma luz ao final do túnel, um ponto de partida àqueles que buscam um entendimento maior da Surdez, da pessoa Surda e de sua educação. Nesta direção caminha este livro que tem como objetivo apresentar os princípios, fundamentos e aspectos práticos que caracterizam uma proposta de educação bilíngue para Surdos, como um ponto de partida àqueles que buscam um entendimento maior da pessoa Surda e sua educação. Tem-se, também, a (pré)tensão, mesmo correndo o risco de não contemplar a multidimensionalidade do conceito de bilinguismo, de lançar ideias e opiniões que permanecem como objeto de investigação, mas que poderão abrir caminhos para novas interpretações e estudos que contribuam para a produção de novos conhecimentos e novas realidades.


SURDOS - EDUCACAO, DIREITO E CIDADANIA - NOVAES

Sinopse

A formação de uma sociedade para todos, em que as diferenças são consideradas e respeitadas, passa pela educação de qualidade e acessível a todos, pela existência de direitos reconhecidos e pelo conhecimento das formas corretas para acessar tais garantias, como expressão de cidadania.



Inclusão pela metade

Por Cláudia Cotes * (http://www.vezdavoz.com.br/site/informacoes/2010/11/inclusao_pela_metade)


Este texto tem a intenção de refletir sobre os caminhos da inclusão em duas cidades: Paris e São Paulo.

Engraçado pensar que antigamente, não havia rei ou pessoa da alta corte, caminhando em cadeira de rodas. Todos os palácios são lotados de degraus. Quanto mais, melhor!

Museu do Ipiranga (SP), Palácio de Versailles (Paris). Se você é cadeirante e quer passear por lá, melhor ir no colo de alguém.

Em pleno Século XXI, as duas cidades tentam correr atrás do prejuízo social.

Foram anos e anos pensados na construção de um mundo para quem anda, ouve e enxerga. As pessoas com deficiência ficaram confinadas em escolas, excluídas em mundos paralelos.

Fico me perguntando:

- Quem são os verdadeiros cegos, surdos, cadeirantes?

Eles ou nós?

Tempos atuais. Metrô de Paris. Tem piso podo-tátil em quase todas as entradas. Muito bom…

Mas, onde estão as pessoas cegas? Ah! Esqueceram de treinar funcionários para levar os cegos de uma estação para outra ou mesmo ter um sistema que deixe uma pessoa cega em um metrô e pegue-a em outra estação. Não há guardas, nem auxiliares que dêem informações.

Tem gente de tudo quanto é nacionalidade no metrô de Paris! Indianos, japoneses, italianos, americanos, negros de todos os tons de pele. Várias línguas. Pessoas perdidas em um sistema de transporte que foi pensado para quem enxerga e é bem inteligente!

É muito fácil se perder nos túneis do metrô. Há escadas por todos os lugares. Mães sofrem com seus bebês em carrinhos. Tem que ser no braço mesmo!

Cadeirantes pelo metrô?

Nem pensar…

Inclusão pela metade.

Metrô de São Paulo. Não tem piso podo-tátil em todas as entradas de estações.

Mas tem vários funcionários treinados para auxiliar as pessoas com deficiência. Resultado: há filas e mais filas de cegos e cadeirantes que circulam aos montes por lá. Nos vagões novos, há sinal visual para os surdos. Eles adoram passear no metrô.

De repente, lembraram de algo básico e essencial: eles também são seres humanos…

Trabalham, estudam, agüentam preconceito o dia todo, e… rezam.

Igrejas de Paris. Lugar de todos? Deveria ser. Escadas e mais escadas fazem a graça e a imponência das igrejas de Madeleine e Sacre Coeur.

Cadeirante não pode entrar?

Melhor nem tentar…

Não tem acessibilidade. Ainda bem que Deus está em todos os lugares.

Igrejas de São Paulo. Vários pastores descobriram que os surdos se comunicam com a Libras. E colocaram intérpretes nos cultos. Resultado: igrejas cheias de surdos convertidos.

Outro dia o meu amigo cadeirante foi convidado para falar em uma igreja católica. Só que ele não conseguiu entrar. Muitas escadas faziam a imponência do lugar.

Igreja, lugar de todos?

Deveria ser…

Inclusão pela metade.

Telejornal em Paris. De manhã, o resumo do dia é feito por uma apresentadora com um intérprete de Língua de Sinais. Há reportagens diárias com este recurso de acessibilidade. Muito bom!

Descobriram que os surdos precisam da Língua de Sinais para serem informados.

Telejornal de São Paulo. Não há Libras, a Língua Brasileira de Sinais. Não é uma língua universal. Cada país tem a sua língua de sinais própria. Jornalistas acham que todo surdo lê. Grande engano. A velocidade de fala dos apresentadores e repórteres dos telejornais é bem acelerada. Nem um ouvinte fluente consegue acompanhar a leitura do closed caption com facilidade. Quanto mais um surdo. Mas como surdo não faz barulho, e não incomoda, pra que mudar, não é mesmo?

Pessoas cegas ficam perdidas com as diferentes vozes dos entrevistados e com os jornalistas que falam assim:

- Anote o site que está aí na nossa tela!

Um detalhe: a informação é um direito do ser humano, garantido pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Inclusão pela metade.

Enquanto o mundo foi pensado e construído para o sucesso, o poder e o dinheiro, as pessoas com deficiência foram pensadas de forma assistencialista.

O mundo pede mudança.

Agora, alguns homens se deram conta de que não é mais “chique” só olhar para o próprio umbigo. Temos que olhar para o outro.

Afinal, somos seres sociais. O mundo que eu faço hoje, é o que os nossos filhos terão como presente.

Inclusão deve e precisa ser inteira. Precisa ser para quem tem dificuldade de se mover, para quem não escuta, não enxerga ou tem dificuldade de entendimento. Não podemos pensar de forma segmentada. Já que tem que ser feito, então, que seja para todos e que seja bem feito. Quanto mais diverso, mais divertido, mais humano, mais real!

Existe meio casamento, meia amizade ou meia profissão?

* Presidente da ONG Vez da Voz.

Faculdade forma inédita turma de pedagogos Bilingues surdos

Formatura no Instituto Nacional de Surdos é a primeira na América Latina

http://www.atarde.com.br/videos/index.jsf?id=2241767

LIBRAS nas escolas públicas de Salvador agora é Lei

Para conhecimento e divulgação

LIBRAS nas escolas públicas de Salvador agora é Lei


Projeto de Lei do vereador Gilmar Santiago, aprovado por unanimidade na Câmara Municipal, estabelece que a rede pública de ensino deverá garantir, a todos (as) os (as) alunos (as) surdos (as), o acesso à educação bilíngüe: Língua Portuguesa e Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), desde a educação infantil até os níveis mais elevados do sistema educacional,.


Além de garantir a inclusão da LIBRAS no currículo escolar municipal, a nova lei determina que a Administração Pública, direta, indireta e fundacional, através da Secretaria Municipal de Educação, passe a manter profissionais surdos em seus quadros funcionais, bem como, deverá contratar profissionais habilitados, ou estabelecer convênios com entidades ou associações legalmente constituídas para ministrar as aulas de LIBRAS em todos os níveis do ensino fundamental.


A Lei define também que o poder público municipal ofertará cursos para formação de intérpretes de LIBRAS bem como para os surdos, seus familiares, professores e comunidade em geral. Por fim, a lei determina que a administração pública manterá nas repartições, incluindo nos hospitais públicos, o atendimento aos surdos, contratando profissionais intérpretes de LIBRAS.


A LIBRAS é uma língua viva e autônoma, reconhecida pela lingüística. Pesquisas com filhos surdos de pais surdos estabelecem que a aquisição precoce da língua dos sinais dentro de casa é um benefício e que esta aquisição contribui para o aprendizado da língua oral como segunda língua para surdos. "Esta Lei insere-se na luta por uma sociedade inclusive e cidadã e por um mundo mais justo e igual", comentou o vereador.



Assessoria de Imprensa Vereador Gilmar Santiago

Josias Pires DRT 1542 - 71 9918 5973







Aprenda no SILÊNCIO!!!

Espero que minhas contribuições te enriqueçam de alguma forma.